quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Darwin x Stephen Jay Gould

Stephen Jay Gould foi um dos grandes nomes da teoria evolucionista moderna. Seus primeiros estudos empíricos, baseados em fósseis de invertebrados e em moluscos, levaram-no a questionar o gradualismo proposto por Darwin em sua publicação "A Origem das Espécies" e o seu conceito de evolução por seleção natural de forma adaptativa e lenta.

A partir de 1972, juntamente com Niles Eldredge, começou a criticar radicalmente o conceito de "adaptação", apontando contradições como as "falhas" de linhagens fósseis que Darwin não conseguia explicar. Gould propunha uma evolução muito diferente, com eventos bruscos como crises, extinções em massa, especiações rápidas, muitas vezes em respostas a alterações climáticas igualmente violentas. Ou seja, literalmente, UM CAOS! Daí o nome "equilíbrios puntuais", a mais famosa contribuição de Gould para a ciência. Ou seja, as mudanças evolutivas ocorrem relativamente rápido quando comparadas aos longos períodos de relativa estabilidade.

Para ele, o homem, ou qualquer outra espécie, são fruto do acaso. "Os seres humanos não são o resultado final de um progresso evolucionista previsível mas mais uma segunda intenção cósmica fortuita, um minúsculo ramo no enorme bosque arborescente que é a vida". (Gould)

Ele ainda defendia que, "se a vida sobre a Terra partisse do zero, mesmo um milhão de vezes, não haveria todas as probabilidades dela produzir um mamífero e ainda menos uma criatura semelhante ao homo sapiens".

Bibliografia sugerida:

Darwin e os grandes enigmas da vida

Vida maravilhosa

Quando as galinhas tiverem dentes

E que Darwin descanse em paz!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Comércio ilegal de Fósseis

A problemática do tráfico de fósseis no Brasil é um tema pouco abordado mas que merece a atenção e INDIGNAÇÃO de todos, e não somente dos paleontólogos. Devemos considerar nossos fósseis como um patrimônio Nacional, cujas leis de proteção existem e devem ser respeitadas!
Absurdos como páginas na web que comercializam fósseis são muito comuns. Mas o pior de tudo são nossos próprios conterrâneos sendo os responsáveis por "exportar" nosso material ilegalmente, e, a grosso modo, "na maior cara dura".
Um exemplo do que têm ocorrido em nossos "afloramentos sem lei" foi publicado na Folha de São Paulo: "Fóssil brasileiro é comercializado em site por 1,2 milhões: quem gosta de monstros pré-históricos e tem R$ 1,2 milhões para gastar pode comprar hoje, pela internet, um dos fósseis mais espetaculares já encontrados no Brasil: o crânio de uma espécie de pterossauro até agora nova para a ciência. Ele foi parar nos EUA, por vias misteriosas. Mas uma coisa é certa: saiu ilegalmente do país. O espécime foi extraído da formação Santana, um conjunto de rochas sedimentares na chapada do Araripe, no Ceará. Está sendo anunciado pelo site americano PaleoDirect, de Altamonte Springs (Flórida)".
Os extrangeiros, no entanto, defendem abertamente o comércio de fósseis e já se beneficiaram cientificamente do contrabando de espécimes brasileiros, tendo descrito um dinossauro do Araripe que saiu ilegalmente para a Alemanha.
O Brasil proíbe a exploração comercial de fósseis desde 1942, mas nunca teve recursos (ou vontade) para fiscalizar suas jazidas fossilíferas, em especial a bacia do Araripe. O resultado é que peixes e crocodilos pré-históricos, dinossauros e invertebrados em geral, têm saído a rodo do país. Os que dão sorte vão parar em um museu, onde pelo menos são estudados. Mas alguns vão para coleções particulares onde estão destinados a adornar a parede de um ricaço, fora do alcance da ciência.

Devemos divulgar a importância desse nosso patrimônio no Brasil e protestar contra toda essa água suja que corre bem debaixo dos nossos narizes.